Karol Wojtyła - João Paulo II
Lolek, como Karol era afetivamente conhecido, foi batizado poucos dias depois de nascer, na Igreja Santa Maria de Wadowice. Com 9 anos, fez a Primeira Comunhão e com essa mesma idade sofreu uma dura perda: sua mãe falece em trabalho de parto de uma menina.
Fez os estudos do que seria o ensino médio em Wadowice mesmo, na escola Marcin Wadowita. Gostava de esportes e normalmente jogava futebol, como goleiro. Sua juventude foi influenciada por numerosos contatos com a próspera comunidade judaica de sua cidade. Os jogos de futebol na escola eram disputados entre times de judeus e católicos e Karol sem problemas se oferecia voluntariamente para jogar do lado judeu caso faltasse algum jogador. Aos 18 anos, foi crismado.
Em 1932, seu irmão falece, de escarlatina. Em 1938, Karol e seu pai se mudam para Cracóvia, onde se matriculou na Universidade Jaguelônica. Ao mesmo tempo em que estudava filologia e várias línguas na universidade, trabalhou como bibliotecário voluntário e foi convocado para treinamento militar compulsório, porém recusou-se a atirar. Com seu interesse por teatro, atuou em vários grupos e também escreveu peças. Nessa época, com seu talento para línguas, aprendeu 12, sendo que 9 delas usaria frequentemente como Papa.
O Cardeal Wojtyła foi eleito com 99 dos 111 votos em 16 de outubro de 1978. Foi o primeiro Papa polonês da História, o primeiro não italiano desde 1522 e o mais jovem (58 anos) desde 1846. Adotou o nome João Paulo II em homenagem a seu antecessor. Quebrou a tradição ao aparecer para o público no balcão logo após sua eleição. Como seu antecessor, dispensou a coroação papal formal. Sua entronização solene no ministério petrino foi em 22 de outubro de 1978 e seu pontificado foi um dos mais longos de que se tem notícia, durando quase 27 anos.
Tendo-se formado num contexto diferente dos Papas anteriores, João Paulo II viria a imprimir na Igreja um novo dinamismo, impondo ao mesmo tempo um maior rigor teológico e disciplinar.
O Papa que veio do Leste recebeu uma Igreja cujo governo atravessava certa crise, presa na tensão entre os avanços do Concílio Vaticano II e a perda de identidade perante a modernidade. Desde o início, João Paulo II pediu “Não tenhais medo” e falou na primeira pessoa do singular em vez do plural: essa afirmação de identidade veio acompanhada de uma experiência histórica notável, atravessando uma guerra mundial e a vivência sob um regime comunista, que falou ao coração de milhões de pessoas.
